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Brincar é um assunto sério!

Brincar é um assunto sério!

Apesar de parecer paradoxal associar brincar com um assunto sério, brincar é realmente das actividades mais sérias para o desenvolvimento de uma criança. Atualmente é inquestionável a importância de brincar no desenvolvimento sensorial, físico, social, cognitivo e, sobretudo, emocional. Tanto é que brincar é o Princípio 7.º na Declaração dos Direitos da Criança, tão importante como o direito à educação. No entanto, numa sociedade orientada para resultados e para o sucesso, brincar acaba por ser considerado uma actividade acessória. As agendas escolares estão sobrecarregadas de trabalhos e brincar fica para segundo plano, sendo o maior foco de atenção de pais e professores os resultados escolares. Contudo, por muito bom que seja o resultado escolar, nenhuma criança desenvolverá todo o seu potencial se a brincadeira não fizer parte da sua vida. E esta é uma lacuna muito séria!


Brincar deve ser visto como uma prioridade para o desenvolvimento infantil. Posso ir ainda um pouco mais longe: brincar é uma actividade universal fundamental em todas as idades e momentos da vida!

Brincar surge inicialmente por intermédio da imitação. A criança observa, absorve, explora e projecta a realidade que vai vivendo e onde está inserida por meio de imitação. Primeiro da mãe, depois do pai, seguido da família e das pessoas mais próximas, das profissões que vai conhecendo, das actividades do dia-a-dia, da repetição de comportamentos, expressões, tons de voz, frases, gestos, etc. num divertido jogo de “faz de conta”. O grande objectivo é ir conhecendo e explorando o que é ser adulto de forma a conseguir conhecer o mundo dos adultos e conhecer-se melhor a si mesma. Além disso, através da brincadeira, a criança tem também a possibilidade de representar momentos que permitem expressar as suas emoções e exprimir sentimentos através de representações  simbólicas. Outro ponto fundamental, é que as brincadeiras facilitam também a pais e educadores conhecerem melhor o mundo da criança e compreenderem os seus comportamentos, emoções e pensamentos. A brincadeira é uma ferramenta essencial de trabalho para psicólogos, psiquiatras, coachs e profissionais do desenvolvimento infantil.


Além dos diversos aspectos que já referi, as brincadeiras trazem também inúmeros outros benefícios de desenvolvimento, como do raciocínio, da imaginação, da atenção, da criatividade, da capacidade de pensar, da resistência à frustração, dos limites e da noção entre a fantasia e o real. Permite também aprender comportamentos de sociabilização fundamentais como a partilha, a comunicação, a amizade e o respeito. Por si e pelos outros. Valores fundamentais para o desenvolvimento da sua personalidade para a vida.
Numa altura em que muitas brincadeiras passam por jogos tencológicos, é importante que não sejam a única fonte de brincadeira. Este tipo de jogos virtuais leva a criança a depender de criações pré-fabricadas e desenvolver uma atitude passiva menos criativa. Brincar promove também o saber estar sozinho, nos seus pensamentos, nas suas próprias criações, fantasias e no mundo interior da criança que é tão rico. Haver espaço no dia para a criança brincar e não fazer nada é fundamental, sendo por isso responsabilidade dos pais promoverem tempo para tal. Brincar gera felicidade, autonomia, autoconhecimento, humanidade e muitas outras ferramentas de aprendizagem para uma vida adulta feliz e saudável. Todo o ser humano precisa de brincar para poder ser humano.


Quem é que ainda se lembra de como era feliz a brincar no seu mundo imaginário de criança?

Marta Furtado, KidCoach



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