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Crianças sem interesses

Crianças sem interesses

Oiço muitos pais partilharem desabafos sobre o desinteresse generalizado dos seus filhos, principalmente por estarem demasiado ligados aos ecrãs. Acima de tudo, as crianças vivem à procura de algo que lhes traga motivação.


E o que significa motivação?

A motivação não é mais do que um estímulo que move a pessoa a realizar determinadas acções que lhe geram um sentimento de prazer. O ser humano procura, de forma natural, momentos que lhe causem prazer e afasta-se de momentos que lhe causem dor. Mesmo que estes motivadores possam ser alterados ao longo do tempo, o que provoca determinado comportamento tem a ver com o prazer que essa determinada acção gera. Existem essencialmente dois tipos de motivação:

  •  Motivação intrínseca: quando a actividade é realizada por prazer e curiosidade, sem que haja incentivos externos. A criança realiza a actividade por si e porque gosta.
  •  Motivação extrínseca: quando a criança se move por factores externos, pelo que recebe em troca com a realização de uma actividade (presentes, doces, não fazer algo que não gosta, etc.)

A motivação para a aprendizagem é a chave para esta acontecer de forma efectiva. E, quanto mais intrínseca for, tanto melhor! É essencial a criança desenvolver motivação a partir das actividades diárias como pôr a mesa, arrumar os brinquedos, vestir-se sozinha,  fazer os TPCs ou, com actividades como fazer desporto, ler, relaxar ou resolver um dilema. Mais do que a imposição de regras (“porque sim” ou “porque não”) é fundamental que os pais procurem compreender o que está na base das motivações e desmotivações dos  seus filhos, para que em conjunto consigam encontrar soluções benéficas para todos.

Este é o meu principal conselho: procurar compreender, com assertividade, carinho e sem julgamento, o que está por trás da motivação/desmotivação. Quando este processo não é feito, pode acontecer que os pais não deem conta e, a motivação do filho por algo que lhes parece prejudicial, possa resultar de um talento ou de um prazer intrínseco forte que poderia ser aceite e explorado. Por outro lado, há também diversos motivos que levam uma criança a estar desmotivada. Pode ser uma  professora que gerou desconforto, algum problema com um colega, conteúdos demasiado fáceis, brinquedos desadequados ou pouco estimulantes, ou tantos outros factores. Quase sempre o problema não está na falta de motivação em si, mas no que origina essa falta de motivação. As crianças são naturalmente curiosas e com vontade de aprender. Por isso, uma criança que só se interessa por uma temática, precisa de ajuda para se encontrar, compreender e conseguir ganhar motivação genuína noutras matérias. A complementaridade de actividades é fundamental para o desenvolvimento saudável do cérebro da criança, da sua inteligência emocional e criação de personalidade.

“Cada um de nós é um ente extraordinário, com lugar no céu das ideias…seremos capazes de nos desenvolver, de reencontrar o que em nós é extraordinário e transformaremos o mundo.”  Agostinho da Silva

Marta Furtado, KidCoach



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